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Bravo! A vida é simples - Metáphoras -
Edição #10 - Ano 1- 01.09.2005 ]
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Mamãe Claise
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Fã é aquela coisa que o
Houaiss define como "indivíduo que tem e/ou manifesta
grande admiração por pessoa pública (artista,
político, desportista, etc.); pessoa que torce por
determinado clube ou time; pessoa que tem grande afeição
ou demonstra grande interesse por (alguém ou algo)."
Partindo desta definição,
não tenho realmente os 75 fãs que o Orkut diz
que tenho. Em primeiro lugar, não sou pessoa pública
muito menos clube ou time de futebol ou do que quer que seja.
Certamente, poderia ser alvo de afeição ou de
interesse por uma ou outra pessoa, mas o fato é que
daquela lista somente 37 pessoas me conhecem pessoalmente
e outras 16 me conheces de longos papos pela Internet. E as
outras 22 pessoas que me adicionaram, de onde tiraram a idéia
de me adicionar como fã? Lendo meu perfil naquela parafernália?
Não acredito. O fato é que toda esta introdução
é um monte de bullshit e o que eu queria falar mesmo
diz respeito a uma fã muito especial, que não
está entre aqueles 75 "fãs" do Orkut
mas que tenho certeza de que, como ela mesmo disse, é
sinceramente minha fã número 1: minha
mãe.
Desde que me lembro por gente, minha mãe
sempre deu todo apoio de que precisei. Não poupou esforços
em momento algum da sua vida. Sempre que precisava ceder em
algum ponto para satisfazer alguma necessidade ou mesmo até,
muitas vezes, alguma vaidade minha, ela cedia. Muitas vezes
pensei se todo esse carinho e toda esta pronta-disponibilidade
não seria uma espécie de tentativa de substituir
os anos de minha infância que estivemos separados, já
que ela trabalhava em uma cidade 70 km distante de onde eu
morava e nos víamos somente durante os fins-de-semana.
De todo modo, depois de um período
de adaptação durante a adolescência, quando
subitamente fui morar com ela e com meu antigo padrasto –
em plena turbulência hormonal dos 14 anos – para
fazer o Segundo Grau (agora Ensino Médio) em uma escola
melhor, em Porto Alegre, as coisas começaram gradualmente
a se aprumar.
Nunca tivemos um relacionamento do qual
pudesse se dizer, "noooooossa, que casal de mãe
e filho mais harmonioso!", mas também nunca fomos
dos mais dissonantes. Diria que pra Beethoven não servíamos,
tampouco éramos música atonal. Quem sabe, assim...
um rock´n roll? Claro que essas pequenas rusgas são
normais em qualquer relacionamento entre mãe e filho.
No nosso caso, havia (na verdade, ainda há!) uma coisa
que sempre entrava no meio da conversa: o porque de eu não
parar quieto, fazendo uma coisa só por vez.
Aos 17, quando, tardiamente, quis comprar
uma guitarra (tocava (mal) violão
há uns 2 anos), minha mãe foi contra. Dizia
que ia largar depois de 2 meses. Gravei um CD
com minha banda The Brains;
tudo bem.
Quando quis fazer um curso de Antropologia
de Culturas Urbanas e História da Ciência
– ainda durante a faculdade de Medicina - , não
só minha mãe, mas também minha vó
e minha tia (co-patrocinadoras) olharam com cara feia frente
ao inve$$$timento a ser feito. Acabei fazendo vestibular para
Filosofia e depois me transferi para as Ciências
Sociais da UFGRS, cursando junto com a especialização
em Medicina Interna e Endocrinologia.
Um pouco mais tarde, decidi que queria comprar
uma filmadora (empolgado com os Seminários
Livres em Antropologia Visual que tive nas Ciências
Sociais da UFGRS). Grande investimento financeiro novamente,
desta vez com dim-dim, pelo que me lembro, quase todo do meu
pobre bolsinho. A previsão era que não ia dar
em nada. Mas era tarde: a semente havia sido plantada e regada.
Neste ano, o primeiro curta-metragem (O Envelope Azul) do
qual participei foi multi-premiado no Santa Maria Vídeo
e Cinema, já passou na TVE d uas vezes, foi selecionado
para pelo menos mais dois festivais nacionais na mostra competitiva.
Agora em setembro, começamos a pré-produção
de mais um curta (A Maleta), com roteiro e direção
meus.
Depois, outro desejo se aproximou: fotografia.
Primeiro, a imagem em movimento. Depois, a imagem estática,
poética da escrita com luz. Novamente, um investimento
desta vez gigantesco para comprar uma máquina profissional,
que me garantisse tirar as fotos que minha inventividade alcançasse.
Novamente, mamãe, vovó, titia torceram o nariz.
Fiquei 2 anos só lendo revistas de fotografia enquanto
conseguia juntar dinheiro para comprar a bendita máquina.
Finalmente comprei: março de 2004. Resultado: maio
do mesmo ano foto publicada na Fotografe Melhor, agosto menção
honrosa no Concurso Fotográfico da Cidade de Santa
Maria e neste ano 2º lugar no mesmo concurso e logo depois
seleção para integrar a mostra do Memorial Mallet.
3 colocações em 3 inscrições.
Isso não é luta de boxe, em que se conta "43
lutas, 43 por nocaute, sendo 38 no primeiro round e as 5 restantes
até o terceiro round", mas vale dizer que uma
preparação adequada para o que se pretende enfrentar,
tem muito valor.
Mamãe: acho que a esta altura já
deves ter percebido que, assim como com a Medicina, levo tudo
que faço muito a sério. Se, quando criança,
ganhava um brinquedinho novo só brincava com ele nos
primeiros dias e depois deixava de lado, pedindo logo outro
recém-lançado pela Estrela ou pela Grow, não
significa que estas outras pulsões que tomam conta
de mim – tocar, compor, filmar, fotografar, escrever,
criar – não sejam por mim levadas até
a última instância do sentimento. Faço
por que realmente gosto, de todo coração.
Mãe, quero que saibas que todas estas
aquisições que tive a possibilidade de ter –
e não falo aqui das materiais, mas das emocionais e
de conhecimento – se devem grande parte ao teu suporte,
à tua onipresença sempre valorosa, forte e determinada
na minha vida. Nunca esquecerei da inestimável ajuda
que me deste durante os anos da faculdade, onde sem demonstrar
cansaço e reclamar num só dia que eu me lembre,
você tirava forças não sei de onde para
- depois de trabalhar um dia inteiro num trabalho que, eu
sei, não é nada fácil – passar
lá em casa e ainda me ajudar com a louça, a
comida e as roupas. Isso só para citar um pequeno exemplo
do mundo de coisas que você fez por mim. Nunca terei
tempo de vida, nem dinheiro nem forma alguma de te agradecer
por completo, mas uma coisa quero, ou melhor, preciso que
saibas: Mamãe Claise, sou muitíssimo grato por
tudo que sempre fizestes por mim e por tudo que ainda hoje
fazes e preciso dizer-te, sem medo de parecer cafona ou piegas,
que, na verdade, antes de você ser minha fã,
eu sim sou seu fã número 1, e sempre serei.
Vamos ver se no próximo ano consigo
te trazer para perto de mim novamente, para me ajudar lá
na Clínica e também para que eu possa te ver
ficar velhinha bem pertinho de mim, fazendo sempre aquelas
almôndegas alemãs saborosas, o frango xadrez
e o rocambole de carne com provolone e outros quitutes deliciosos.
Eu sei que não é Dia das Mães,
e estamos bem longe do seu aniversário, mas acredito
que qualquer hora é hora para falar uma coisa que gostaria
de ter te dito mais vezes nos últimos anos: Mãe,
eu te Amo.
Nos vemos nesta sexta-feira. Um beijo. Quero
um abraço bem gostoso quando nos virmos, tá
bom? E não esquece da Fruki light!
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