[ Blavo! A vida é simples! - Metáphoras - Edição #6 - Ano 1- 09.04.2005 ]

A Reforma do Bem-Estar

Tempos difíceis esses... Já não há mais circo que sustente a falta de pão. Se você não é um dos que a falta de pão aflige, faça o favor de ignorar este texto e volte seus olhos para outra literatura, continue sua invejável vida.

Aqui estamos nós, supremos representantes de Deus (?) na face da Terra, humanos abençoados pelo dom da razão, adentrando o que os místicos chamam de Era de Aquário – a Era do Humanismo, da Fraternidade e da Concórdia entre os seres.

É bom que se diga – em meio a nuvens carregadas de dióxido de carbono, diminuição progressiva dos combustíveis fósseis e da água potável e instabilidade constante dos mercados mundiais – que ninguém está a prestar atenção nesta tal de fraternidade.

Depois de um período onde as chamadas Organizações Não-Governamentais (ONGs) passaram a ser chamadas de Terceira Via – a via que prometia a redenção da humanidade através desta própria, independente (ou parcialmente indepedente) do Estado – estudos recentes demonstram que a grande maioria está fadada ao fracasso, pela incapacidade de gerenciamento e pelos custos que elas mesmas se impõe.

Anda-se, por esses dias, justificando a morte de milhares por um fim nobre: as reeleições para o governo da maior potência do planeta.

Em meio à desagregação total, , inventaram uma tal de globalização, que até onde consigo enxergar – apoiado nos ombros de gigantes – só é verdadeira no que diz respeito ao conhecimento, nunca tão disponível ao mais simples cidadão (com acesso à Internet, sejamos claros) mas não no que diz respeito à distribuição de riquezas, cada vez mais concentrada nos cofres das nações mais poderosas.

O ser humano, este ser pensante, caminhante solitário pela senda da vida, ser impermanente que sonha ser eterno, é capaz de criar tanta tecnologia e de se relacionar com ela a ponto de gerar tamanho conforto até há pouco inimaginado por nossos avós ou até mesmo por nossos pais. Não foi capaz, entretanto, de utilizar esta tecnologia em benefício da própria humanidade, exceto para o benefício de poucos, que utilizam a mesma para intensificar seu controle sobre os demais povos, que vivem à margem deste Mundo Novo, para eles pouco conhecido.

E assim vamos vivendo, sofrendo e querendo, sedentos de mudanças que não sabemos de onde podem vir. Esta falta de perspectivas, gênese da angústia do homem contemporâneo, se reflete em tudo que experenciamos – arte, política, economia, relacionamentos interpessoais – e acaba por gerar um ciclo vicioso difícil de quebrar.

A reforma do bem-estar é urgente. A busca de soluções começa voltando nosso olhar para nosso próprio umbigo, mas não pára aí. Depois de nos conhecermos, temos que levantar os olhos ao horizonte e ver o que aflige nossos companheiros de viagem nesta grande nau que viaja pelo espaço.

As ferramentas nos foram dadas pela Natureza. Aprendamos a utilizá-las.

(texto introdutório ao Ensaio "A Reforma da Percepção, do Julgamento e dos Sentidos", em elaboração)

"Os espíritos que são impedidos de mudar suas opiniões cessam de ser espírito" Nietsche

Reforme-se! Reflita comigo!
 
 

Um espaço para discutir o CONHECIMENTO, buscar o EQUILÍBRIO. Desenvolver ATITUDE e cultivar o BEM-ESTAR. Uma parada para alimentar o corpo e a mente, indissociáveis entre si e do Universo. Um liquidificador efervescente que nos ensina que MENOS É MAIS e que O TODO É MAIOR QUE A SOMA DE SUAS PARTES.

ATENÇÃO: NÃO leia com atenção os textos desta coluna, pois existem pegadinhas, truques, expressões com duplo e triplo significado e exercícios mentais e corporais a serem feitos. Não vais querer que te peguem com cara de tonto na frente do computador, vai?

 
 

Rafael Luiz Reinehr nasceu em Primeiro de Julho de Mil Novescentos e Setenta e Seis e há mais de dez anos ouve vozes no chuveiro que lhe dizem o que fazer.

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